A exposição “Água e Vida: do poço a torneira” nasceu como um projeto educativo e cultural dedicado a provocar uma reflexão sobre a relação histórica da humanidade com a água, os desafios do saneamento básico e a responsabilidade coletiva na preservação desse recurso essencial. Com linguagem acessível, recursos visuais e experiências imersivas, a mostra propõe um percurso que conecta passado, presente e futuro, aproximando o público de um tema central para a vida nas cidades.
Instalada inicialmente na Rua Alberto de Campos, nº 12, Ipanema, Rio de Janeiro, a exposição foi concebida como um projeto itinerante, preparado para circular por outros espaços culturais, educativos e institucionais, ampliando seu alcance e impacto social.

Água como origem, direito e desafio urbano.
O percurso expositivo estabelece um paralelo entre o surgimento das grandes civilizações, historicamente organizadas em torno das fontes de água, e a formação das favelas, que, de modo semelhante, cresceram ao redor de rios, nascentes, bicas e pontos públicos de abastecimento. A exposição evidencia como, por décadas, o acesso à água exigiu longos deslocamentos, esforço físico e estratégias coletivas, muitas vezes tornando a simples tarefa de buscar água um desafio diário para milhares de famílias.
Ao avançar no tempo, a mostra acompanha o processo de urbanização, a chegada das redes de abastecimento e, finalmente, da água encanada às casas, com torneiras e chuveiros que transformaram profundamente o cotidiano, a saúde, os negócios e a qualidade de vida nos territórios. Nesse percurso, Água e Vida destaca que o acesso à água e ao saneamento é resultado de lutas históricas, políticas públicas e investimentos contínuos em infraestrutura, reafirmando a água como elemento central da vida urbana e do desenvolvimento social.
Um projeto alinhado aos 50 anos da CEDAE
A realização da exposição Água e Vida integra as comemorações pelos 50 anos da CEDAE, marco institucional que simboliza meio século de atuação no abastecimento de água e no saneamento do Estado do Rio de Janeiro. Nesse contexto, a mostra assume um papel estratégico ao traduzir temas técnicos e estruturais em uma narrativa educativa, sensível e acessível a públicos diversos.
Mais do que celebrar uma trajetória institucional, a exposição propõe reflexão crítica sobre o presente e aponta caminhos para o futuro, reforçando a importância da água como bem comum e direito fundamental.
Como parte da experiência expositiva, Água e Vida incorpora um mini documentário com depoimentos de moradores de favelas que relatam o cotidiano em períodos de escassez de água, as bicas, os poços e as estratégias de sobrevivência adotadas pelas comunidades. O filme também reúne relatos de antigos funcionários da CEDAE, que acompanharam de perto a expansão do saneamento e do abastecimento de água na cidade ao longo das décadas. Ao conectar memórias pessoais, história urbana e desafios contemporâneos, o documentário reforça o valor da água como elemento central da vida, ontem e hoje.
Curadoria, concepção e realização
A exposição tem curadoria, concepção e realização do Instituto Pro Bono Brasil, que atuou de forma integrada no desenvolvimento do conceito, do roteiro expositivo e das estratégias educativas. A proposta dialoga com a experiência da instituição em projetos de impacto social, educação ambiental e cultura, articulando conteúdo técnico, narrativa histórica e linguagem museográfica contemporânea.
A exposição incorpora painéis informativos, recursos audiovisuais, experiências imersivas e ambientes interativos, pensados para estimular o aprendizado, a curiosidade e o engajamento do público, especialmente de crianças, jovens e estudantes.
A mostra reúne a participação de diversos artistas, com destaque para Bruno Itan, Raiane de Azevedo Brito e Leandro Paradiso, cujas obras ampliam o diálogo entre arte, território e água. O percurso expositivo é complementado por documentos históricos, fotografias e imagens em vídeo do arquivo da CEDAE, que ajudam a reconstruir a memória do saneamento e do abastecimento de água no Rio de Janeiro.
Educação ambiental e circulação ampliada
Desde sua concepção, Água e Vida foi estruturada para funcionar como uma plataforma educativa itinerante. Após sua apresentação inicial em Ipanema, a exposição está preparada para ocupar outros espaços, dialogando com diferentes territórios e públicos, em ações voltadas à educação ambiental, à cidadania e à conscientização sobre o uso responsável da água.
Ao articular memória, infraestrutura urbana e futuro sustentável, a exposição reafirma o papel da cultura como ferramenta de educação e transformação social, aproximando temas essenciais do cotidiano das pessoas.



















